sábado, 6 de novembro de 2010
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
"Sempre, em todas as oportunidades, me neguei a tratar o MST como caso de polícia. O MST não é um caso de polícia. "
Nas eleições de 1994 um ponto marcante de um debate político foi a pergunta feita ao então candidato Olívio Dutra sobre o MSTque aqui reproduzimos pescado da tese de Doutorado na ECA, USP - Maio de 1996 de Christa Liselote Berger Kuschick, Universidade Federal do Rio Grande do Sul:
"ZH: Se for eleito governador, o senhor certamente se defrontará com a ocupação de terras. Qual seria a sua posição neste caso? O Estado mobilizaria a Brigada Militar para providenciar a desocupação?
Olívio: Primeiro nós evitaríamos esta situação, estabelecendo uma relação de respeito, transparência e negociação com o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra, com o movimento dos pequenos produtores rurais. A partir desta relação de transparência, nós iríamos evitar qualquer situação extrema. Mas certamente não iríamos colocar a polícia lá, só porque recebemos uma ordem e está na Constituição. (Jornal da Eleição, 6 nov.1994, p.5)"

Esta pergunta, acrescida da afirmativa de que Olívio não iria respeitar decisões da justiça foi repetida - exaustivamente - em outros debates até pelo candidato opositor se tornou uma das razões que especialistas apontam pela derrota de Olívio naquelas eleições.
Muito bem, menos de 2 anos depois, em 17 de abril de 1996, ocorria Eldorado dos Carajás, segundo descrição do wikipédia:"O Massacre de Eldorado dos Carajás foi a morte de dezenove sem-terra que ocorreu em 17 de abril de 1996 no município de Eldorado dos Carajás, no sul do Pará, Brasil decorrente da ação da polícia do estado do Pará.
Dezenove sem-terra foram mortos pela Polícia Militar do Estado do Pará. O confronto ocorreu quando 1.500 sem-terra que estavam acampados na região decidiram fazer uma marcha em protesto contra a demora da desapropriação de terras, principalmente as da Fazenda Macaxeira. A Polícia Militar foi encarregada de tirá-los do local, porque estariam obstruindo a rodovia PA-150, que liga a capital do estado Belém ao sul do estado.
O episódio se deu no governo de Almir Gabriel, o então governador. A ordem para a ação policial partiu do Secretário de Segurança do Pará, Paulo Sette Câmara, que declarou, depois do ocorrido, que autorizara "usar a força necessária, inclusive atirar". De acordo com os sem-terra ouvidos pela imprensa na época, os policiais chegaram ao local jogando bombas de gás lacrimogêneo. Os sem-terra revidaram com foices, facões, paus e pedras. A polícia, acuada pelo revide inesperado, recuou atirando - primeiramente para o alto, e depois, como os sem-terra não se intimidaram e continuaram o ataque, a policia atirou na direção dos manifestantes. Dezenove pessoas morreram na hora, outras duas morreram anos depois, vítimas das seqüelas, e outras sessenta e sete ficaram feridas.
Segundo o legista Nelson Massini, que fez a perícia dos corpos, pelo menos 10 sem-terra foram executados. Sete lavradores foram mortos por instrumentos cortantes, como foices e facões."
O que Olívio pregava em sua resposta, e agora reafirmado por DILMA ROUSSEFF, é que movimento social NÃO É CASO DE POLÍCIA!
Claro que não houve auto-crítica dos envolvidos no que chamo "incentivo de morte anunciada", nem por parte dos profissionais da imprensa, nem por parte do então (época do massacre) governador do estado, que estava muito ocupado em vender as empresas do Esdado do Rio Grande do Sul, segundo o conhecido receituário neo-liberal, que em debate direto entre os candidatos ao 2º turno das eleições 1994 reiterou a pergunta ao adversário.
GUERRILHEIROS VIRTU@IS saúdam mais uma vez a DILMA ROUSSEFF, nossa presidentA eleita!VIVA OS MOVIMENTOS SOCIAIS
P.S.: VIVA OLÍVIO DUTRA!
Discurso DILMA: Brasília Confidencial;
Charge: Latuff;
Fotio dilma avó: rede;
Tese da DRª. Christa;
Descrição Massacre: Wikipédia;
Fotos: Campanha eleitoral 1989 - LULA E BISOL em Encruziliada Natalino - Berço MST. Fotos deste GUERRILHEIRO!
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
OFICINA DE MULHERES NA DANÇA EM MISSÃO DE PAZ
observação minha: foi ma-ra-vi-lho-sooo! Obrigada, ficou a sensação de quero mais... Contem comigo sempre.
"Se as coisas são inatingíveis... ora!
Nao é motivo para não quere-las...
Que tristes os caminhos, se nao fora
A mágica das estrelas!"
Mario Quintana
(O milionésimo Círculo - Jean Shinoda Bolen)
Hilda Suzana Veiga Settineri
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
DIRCEU PODE SER UM DREYFUS CONTEMPORÂNEO, POR ISTO GUERRILHEIRA DIZ: J'ACCUSE!*

Ao meu ver a exploração feita pela campanha tucana da imagem de JOSÉ DIRCEU, condenando-o por coisas que a justiça ainda não se pronunciou, sem direito a nenhuma defesa por parte do acusado, FOI A MAIOR CRUELDADE, entre tantas outras que se fizeram durante a campanha oficial e extra oficial nas eleiçoes 2010.
QUEM DEVERIA DEFENDER OS PRECEITOS LEGAIS NÃO O FEZ, COM A PÍFIA DESCULPA DE ELE NAO SER CANDIDATO, vejam bem, imaginem se a campanha se voltasse contra esse ou aquele JUIZ DA JUSTIÇA ELEITORAL? Será que não poderiam se defender? Defender sua honra?
Mas , como não foi alí que ardeu, deixaram um brasileiro ser trucidado violentamente e psicologicamente sem um mínimo direito de defensa.
Percebo que nossa justiça continua sendo causuística e talvez a culpa seja de nossas casas legislativas em não fazerem as reformas políticas necessárias.
Imaginem vocês como ensinar aos nossoas filhos, alunos, enfim, aos jovens que não se pode mentir, condenar, se José Dirceu não teve direito de se defender? Que dizer a esses jovens qdo perguntada?
Como pode um cidadão candidato a presidente de uma nação usar de tal crueldade?
Ou será que diremos a esses jovens que na politica tucana vale tudo?
Sou PeTista mas não sou integrante do grupo do ex-ministro, não concordo com políticas que afastaram parte de nossa tão aguerrida militância das ruas, e, principalmente, das lutas, porém não aceito críticas mesquinhas de quem não tem nem 1% de seu valor histórico e moral!Sinceramente espero que JOSÉ DIRCEU seja inocentado.
VOU PEDIR A DEUS, QUE É BOM, QUE AJUDE JOSÉ DIRCEU PROVAR SUA INOCÊNCIA.
Hilda Suzana Veiga Settineri
* Peço a licença de Emile Zolá!
Irmã Dineva Vanuzzi: radicalidade do Evangelho da Libertação
Chega a nós o anúncio da morte da Irmã Dineva Vanuzzi, 73. Irmã Dineva nascida em Selbach, no Rio Grande do Sul, entrou na Congregração das Irmãzinhas da Imaculada Conceição, e, fiel à sua fundadora, não foi indiferente a nenhuma luta que valesse a pena em favor dos pobres e oprimidos. Figura ímpar, cáustica e apaixonada, revolucionou sempre o seu tempo, e, por onde andou, estabeleceu um novo tipo de presença da vida religiosa feminina engajada nos movimentos sociais, em todas as dimensões da política, e as grandes causas do povo na perspectiva da Teologia da Libertação. Trabalhou em Rosário Oeste e regiões junto à educação escolar. Esteve no Araguaia junto à equipe Pastoral da Prelazia do São Felix sob a coordenação do Bispo D. Pedro Casaldáliga, que nutria imenso respeito e estima por Dineva.
Veio para Cuiabá, de onde, no colégio das Irmazinhas, ao lado da Igreja Nossa Senhora do Rosário e São Benedito atuou como professora concursada na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), da qual era professora aposentada. Exerceu, durante o mandato em que Serys Slhessarenko era Secretária de Educação, a Coordenação do Fundo Estadual de Educação. Trabalhou durante anos na Secretaria Municipal de Educação.Teve importante contribuição na participação direta nas lutas sociais, com vínculo especial à luta do Movimentos dos Trabalhadores Sem Terra. Formou uma equipe de voluntários que tinham presença marcante na pastoral da Igreja do Rosário, Arivonil que deixou saudades; Lourenço Fernandes, Jesuíta Padre José Ten Cate e Maria Benvinda todos já falecidos, eram, com Dineva, alma do apoio ao Movimento dos Trabalhadores Sem Terra. Dineva esteve à frente do Movimento de Educação Popular Integral Fé e Alegria, e construiu, com apoio de sua congregação, no seu espaço de residência das irmãzinhas, um trabalho de horta comunitária e escolarização de crianças e adolescentes em frente à Rodoviária onde hoje, em Cuiabá, está o CENE, espaço de encontros da CNBB regional. Dineva era pessoa fiel na luta pela verdade e justiça. Muitas vezes teve sua vida ameaçada e perseguida de morte, na medida em que defendia qualquer pessoa que sofresse perseguição por parte dos poderosos e, de modo especial, quando a perseguição do Estado atingia crianças e jovens, e, muitos dos quais, foram desaparecidos pela ação da Secretaria de Segurança, atingindo o Movimento de Meninos e Meninas de Rua. Dineva assumira o papel ativo nas estratégias de luta do Centro de Direitos Humanos Henrique Trindade e a todas as redes e movimentos sociais que tinham repercussão libertadora. Foi tão fiel a seus amigos, quanto foram aqueles que se tornaram adversários, dada a rapidez da palavra aliada à ação direta e atrevida; capacidade de denúncia permanente de toda opressão, que a fez pessoa indispensável por onde quer que tenha andado. Portadora de uma leucemia durante anos, sem ter contudo seus maus efeitos, não perdeu sua presença nos grandes eventos no Partido dos Trabalhadores no qual era filiada, no Sindicato (ADUFMAT) ao qual pertencia, presente nas articulações do Fórum Social Mundial. Justa homenagem lhe foi prestada, quando em 2008 foi impresso um livro no qual narra parte de suas lutas. Pessoa absolutamente de bem com a vida, feminista assumida, foi exemplar no que tange à sua autonomia, à vivência da laicidade da vida religiosa, à inserção nos meios sociais onde trabalhou. Não lhe faltaram criatividade para inventar formas de mobilização e denúncia - eficaz, por vezes até espalhafatosa-, imprescindível para a ocasião do cerceamento da injustiça pelo silêncio imposto. Disciplinada em passar noites sem dormir quando necessário, radicalidade que sempre a fez temida, e por isso inspira a todos nós, a amizade celebrada com alegria, o anúncio do evangelho da liberdade, a luta pela democracia e o humanismo com todas as suas consequências. Dineva dava imperssão de jamais ter pensamentos que não tivesse revelado! Maliciosa, astuta, todos sabiam muito bem, nos conflitos, de que lado Dineva estava! Temida por isso por seus adversários, sobretudo os Secretários de Segurança que utilizaram de violência sistemática contra a criança e adolescentes e o povo da rua. Sofria, com imensa generosidade, por isso, a intimidação permanente não divulgada dos carros sem placa que a seguiam na rua, violência por vezes, explícita e anunciada, por vezes, nos jornais por parte das autoridades constituídas. Atuou como educadora em grandes projetos de currrículo inovador, na perspectiva freireana. Tinha a doce e cruel "malícia das serpentes" que Jesus elogiara em todos aqueles que abandonavam o estado desprezível do equilíbrio insosso. Vi Dineva, pela última vez, quando foi dar seu voto à Dilma. Faleceu, dia 2 de novembro por volta do meio dia, não há de lhe faltar flores, que tanto gostava! Foi para Deus de alma lavada pela primeira mulher que a representaria também como presidenta do Brasil. Mencionava, quando a vi, a preocupação com uma igreja desfibrada, voltada para as sacristias, para o mundo intímista e a perda de fogo do arrojo que o Evangelho reclama e seu escândalo e tristeza com os movimentos reacionários que apoiavam em nome de Deus, um projeto antipopular. Sobrava-lhe a grandeza da humanidade e a combustão do Espírito que também a consumia, no mais charmoso e indispensável anarquismo. “O Reino dos céus sofre violência e só os violentos o arrebatam” (Mt 11,12) Dineva deve ter subido ao céu no turbilhão de fogo que levou Elias, que nos deixe pequena parte da força do seu espírito! Cuiabá, 02 de novembro 2011.
terça-feira, 2 de novembro de 2010
MILITANCIA VOLUNTARIA AINDA EXISTE!
O Brasil se movimentou para defender as conquistas sociais e avançar rumo a igualitarização de direitos.
A vitória de Dilma Presidente tem um pouco da face de cada um destes. Conhecidos ou não, cumpriram um papel importante, senão indispensável. Quantos nem sequer se sabe o nome. Não importa.Hilda Suzana Veiga Settineri
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
ZÉ DO PEDÁGIO EM CERRA
O brilho provinha do sorriso que cada um desses andantes era capaz de distribuir à cada abraço ou aperto de mão simbolizando o compromisso de não permitir a volta ao passado. Essa história que se escreve tantos nomes e deixa no passado alguns que aqui se em cerra. Saindo pela porta dos fundos, Zé do Pedágio, se despediu, melancólico, perdendo a última chance de ser elegante e diplomático. Vai Zé, em cerra. Assisti análise de alguns canais de televisão. Criticaram os institutos de pesquisa, mas esqueceram de dizer que, a maioria deles, atuava em favor do Zé do Pedágio.
Quem sabe se não tivesse tanta intenção de diminuir a diferença no segundo turno, o resultado não seria ainda maior? Não adianta. Vai Zé, em cerra. Desce a ladeira com eles. Mais vale lembrar-se das cenas alegres desses brasileiros anônimos que empunharam uma bandeira, defendendo um modelo de governo e queriam retribuir as conquistas obtidas no governo Lula através da vitória de DILMA PRESIDENTE.
As elites precisam compreender que as massas não aceitam mais migalhas. Participam e querem a fatia que lhes é devida do bolo. A nacionalidade resgatada com o fim da submissão vergonhosa a organismos internacionais se tornou ainda, mais fulgurante, no momento que o Brasil conseguiu a certeza da auto-suficiência energética, principalmente com as descobertas do pré-sal. Aqueles que foram libertados da miséria, da pobreza extrema não desejam mais retornar a essa condição indigna. Tantas páginas a se escrever nessa história que um dia espera-se que seja compreendida pela minoria que historicamente construiu-se nas riquezas e nas desigualdades e legitimou-se no domínio exercido através dos saberes e que foram sendo demolidos pela inclusão de negos, indígenas, e pobres de todas as raças até então impossibilitados do acesso.
Essas e tantas outras conquistas foram o combustível que energizou essas pessoas a não cansarem-se, multiplicarem-se e, jamais, deixar de sonhar com um país melhor para todos os brasileiros. Isso explica, talvez, a vitória brasileira com DILMA ROUSSEFF.Hilda Suzana Veiga Settineri

